Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disputarão o segundo turno da eleição presidencial em 25 de outubro. O resultado da votação deste domingo (4) abre uma nova etapa da campanha, na qual os dois candidatos terão de apresentar ao eleitorado como pretendem executar seus compromissos, entre eles as políticas voltadas às pessoas com deficiência.
Como estava a apuração às 22h50
Na totalização do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) das 22h50 de 4 de outubro, pelo horário de Brasília, com 99,95% das seções totalizadas, Flávio Bolsonaro somava 56.095.568 votos, ou 47,04% dos válidos. Lula tinha 53.838.128 votos, equivalentes a 45,15%. A diferença era de 2.257.440 votos, aproximadamente 1,89 ponto percentual.
Entre os demais candidatos, Augusto Cury (Avante) aparecia em terceiro, com 3.447.701 votos (2,89%), seguido por Renan Santos (Missão), com 2.675.442 (2,24%), e Ronaldo Caiado (PSD), com 2.604.663 (2,18%). Nenhum candidato alcançou mais da metade dos votos válidos, condição necessária para vencer no primeiro turno.
O mesmo boletim registrava 125.221.000 votos apurados, dos quais 119.248.537 eram válidos, 2.300.116 estavam em branco e 3.672.347 eram nulos. A abstenção era de 21,08%. Os números ainda eram parciais, embora a disputa entre Flávio e Lula no segundo turno já estivesse definida.
A inclusão na disputa pela Presidência
O Brasil tinha 14,4 milhões de pessoas com deficiência, o equivalente a 7,3% da população com dois anos ou mais, segundo os resultados preliminares da amostra do Censo 2022, do IBGE. Acessibilidade, atendimento em saúde, permanência na escola, inclusão no trabalho e apoio ao cuidado estão entre os temas abordados nos programas dos dois presidenciáveis.
O Modo de Acesso comparou os compromissos apresentados nos programas de governo. As medidas descritas são propostas de campanha: sua implementação depende de orçamento, planejamento e, conforme a iniciativa, de articulação com estados, municípios e o Congresso.
Flávio Bolsonaro: autismo, cuidado e atendimento domiciliar
O programa de Flávio Bolsonaro apresenta as políticas para pessoas com deficiência e doenças raras como compromissos de diferentes áreas do governo. Entre as iniciativas previstas está a implantação de Centros de Referência em Transtorno do Espectro Autista (TEA), vinculada à promoção de direitos, inclusão e autonomia.
O candidato propõe uma Rede Nacional de Cuidado, com centros-dia e atendimento domiciliar para apoiar pessoas idosas, pessoas com deficiência e suas famílias. O documento prevê parcerias com estados, municípios e organizações sociais para compartilhar as responsabilidades do cuidado.
Na saúde, o plano inclui a ampliação da telessaúde e do teleatendimento, além de um sistema de entrega domiciliar de medicamentos que contemple pessoas com deficiência. No esporte, prevê identificar talentos paralímpicos desde a base, ampliar a autonomia das entidades paralímpicas e incentivar parcerias para a preparação de atletas.
Lula: acessibilidade, educação inclusiva e cotas de emprego
Lula propõe manter a implementação do Viver sem Limite, aplicar a legislação de acessibilidade e fortalecer a fiscalização das cotas de contratação de pessoas com deficiência. O programa também prevê a continuidade de políticas de inclusão profissional e de enfrentamento ao capacitismo no acesso ao trabalho.
Na educação, o documento prevê apoio federal à educação inclusiva e à educação bilíngue de surdos, com ampliação da acessibilidade nas escolas, tecnologia assistiva e materiais. Para a educação bilíngue de surdos, reafirma a Libras como primeira língua e o português escrito como segunda.
Na saúde, o petista propõe ampliar os Centros Especializados em Reabilitação e as Oficinas Ortopédicas, além de fortalecer o diagnóstico e o acompanhamento de pessoas autistas e com outras neurodivergências. O plano inclui a expansão da Política Nacional de Cuidados e a capacitação de cuidadores.
O que diferencia os programas
Os documentos convergem na atenção ao autismo e no apoio ao cuidado, mas dão destaque a caminhos diferentes. Flávio enfatiza centros de referência em TEA, serviços domiciliares e esporte paralímpico. Lula detalha compromissos com acessibilidade escolar, cotas de emprego e reabilitação, associados à continuidade de políticas públicas.
Na nova etapa da campanha, o detalhamento de metas, prazos, financiamento e cobertura territorial permitirá avaliar o alcance dessas propostas. A participação das próprias pessoas com deficiência na elaboração, execução e fiscalização das políticas também será um ponto central para acompanhar os compromissos de quem vencer a eleição.
Para o dia da votação, veja as orientações sobre acompanhante e acessibilidade para eleitores com deficiência.



