O ativista Arthur Ataide Ferreira Garcia, da Associação Nacional para Inclusão das Pessoas Autistas - Autistas Brasil, criticou o Movimento Brasil Livre (MBL) em uma publicação no Instagram sobre direitos das pessoas com deficiência. Na legenda que acompanha o vídeo, ele acusa integrantes do movimento de sustentar posições que considera eugenistas e rejeita a associação entre dignidade humana e capacidade produtiva.
“A dignidade humana não depende de produtividade. Pessoas com deficiência não são vidas inferiores nem descartáveis”, escreveu Arthur.
O texto concentra parte das críticas em declarações atribuídas ao influenciador conhecido como Engenheiro Léo. Segundo Arthur, a defesa do aborto em razão de uma deficiência, quando justificada pela suposta falta de produtividade ou pela necessidade de apoio que a pessoa teria, estabelece uma hierarquia entre vidas humanas.
Na avaliação do ativista, esse raciocínio transforma a deficiência em justificativa para considerar determinadas pessoas menos dignas de existir. Arthur também questiona o que descreve como uma contradição entre a oposição ao aborto como direito reprodutivo e sua aceitação quando vinculada à seleção de características de quem vai nascer.
Ao apresentar sua posição, ele se declara favorável ao direito ao aborto e rejeita que essa defesa seja utilizada para sustentar práticas eugenistas. Sua crítica se dirige à ideia de determinar o valor de uma vida a partir de condições físicas, intelectuais ou da necessidade de suporte.
A controvérsia envolvendo Engenheiro Léo também aparece em um registro oficial da Câmara dos Deputados. No expediente referente ao período de 10 de fevereiro a 3 de março de 2026, a Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência informa ter recebido uma moção de repúdio da Câmara Municipal de Taubaté, de autoria do vereador Diego Fonseca, sobre declarações do influenciador relacionadas ao aborto e às pessoas com deficiência. O documento caracteriza essas declarações como capacitistas e de cunho eugênico.
Há, porém, uma manifestação pública em que Léo contesta essa interpretação. Segundo a transcrição disponível de uma participação no programa Inteligência Ltda., em 10 de junho de 2026, ele afirmou ser contrário ao aborto e descreveu a discussão anterior como um exercício hipotético. Essa declaração trata da controvérsia sobre suas falas, sem constituir uma resposta específica à publicação de Arthur.
Na mesma legenda, Arthur critica Renan Santos, fundador do MBL, por posições sobre a separação de estudantes autistas no ambiente escolar. Para o ativista, medidas dessa natureza representam segregação e usam a deficiência como justificativa para restringir direitos e a participação na sociedade.
A legislação brasileira assegura às pessoas com deficiência o direito a um sistema educacional inclusivo. O artigo 27 da Lei Brasileira de Inclusão estabelece que a educação deve considerar as características, os interesses e as necessidades de aprendizagem de cada estudante.
Arthur encerra a publicação com uma convocação à mobilização em defesa das pessoas autistas. “Contra a eugenia, contra a segregação e em defesa da vida e dos direitos das pessoas autistas”, afirma, convidando o público a conhecer a atuação da Autistas Brasil.




