Telma de Souza, primeira mulher a governar Santos, morreu na noite de sábado, 10 de outubro, aos 82 anos. Professora, advogada e parlamentar, construiu uma trajetória ligada à educação pública, à defesa de direitos e à transformação do atendimento em saúde mental. A Prefeitura decretou três dias de luto oficial.
Nascida em Santos, em 29 de setembro de 1944, Telma Sandra Augusto de Souza formou-se em Pedagogia e Direito. Antes dos mandatos políticos, trabalhou na rede pública de ensino e no ensino superior. Sua atuação no movimento dos professores e nas mobilizações pela democracia ajudou a construir o caminho que a levaria à vida pública.
Integrante da fundação do Partido dos Trabalhadores, foi eleita vereadora em 1982. Depois de uma passagem pela Assembleia Legislativa de São Paulo, venceu a eleição municipal de 1988 e administrou Santos entre 1989 e 1992. Também exerceu mandatos como deputada federal.
Uma das decisões mais importantes de sua gestão ocorreu em 3 de maio de 1989, quando a Prefeitura interveio na Casa de Saúde Anchieta. O hospital psiquiátrico acumulava denúncias de violência e condições inadequadas de atendimento. A intervenção se tornou um marco da luta antimanicomial brasileira.
Com David Capistrano Filho à frente da Secretaria Municipal de Saúde, o município iniciou uma reorganização da assistência. Profissionais, familiares e organizações da sociedade civil participaram da construção de serviços que ofereciam acompanhamento fora do modelo de internações prolongadas.
Os Núcleos de Atenção Psicossocial fizeram parte dessa mudança. O cuidado passou a buscar a reconstrução de vínculos familiares e comunitários, reconhecendo que o atendimento em saúde mental precisava preservar a dignidade, a liberdade e a participação social das pessoas.
A experiência de Santos contribuiu para o debate nacional sobre a reforma psiquiátrica. O enfrentamento ao isolamento e à violência institucional tornou-se uma das marcas mais conhecidas da passagem de Telma pela Prefeitura.
Sua atuação também alcançou pautas específicas das pessoas com deficiência. Na Assembleia Legislativa, apresentou o Projeto de Lei 874/2013, que previa uma anotação no documento de identidade para facilitar a identificação e o acesso à gratuidade no transporte público. A proposta foi vetada pelo governo estadual, e o veto acabou mantido pelos deputados. A iniciativa, portanto, não se transformou em lei.
Telma voltou à Câmara de Santos, onde exerceu seus últimos mandatos entre 2017 e 2024. Em 2025, o Instituto para o Desenvolvimento da Baixada Santista passou a levar seu nome, mantendo atividades voltadas ao debate de políticas públicas para a região.
Foto de capa: Divulgação/Prefeitura de Santos — foto de arquivo.



