Política e Inclusão

Quem pode assumir a Secretaria Nacional da Pessoa com Deficiência no quarto mandato de Lula?

Conheça algumas lideranças com atuação no movimento das pessoas com deficiência, no Legislativo e na gestão pública.

Montagem horizontal com seis retratos, lado a lado, de lideranças apresentadas na reportagem.
Foto: Fotos de arquivo

A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) coloca em pauta a composição da administração federal para o mandato que começa em 2027. Na Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SNDPD), vinculada ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, ainda não há anúncio de mudança no comando, atualmente ocupado por Isadora Nascimento.

Para apresentar trajetórias relacionadas à área, o Modo de Acesso reuniu seis lideranças com experiência em ativismo, representação política ou gestão pública: Ivan Baron, Andréa Werner, Luciana Trindade, Isadora Nascimento, Anna Paula Feminella e Carlos Maciel.

A seleção considera a atuação dessas pessoas na defesa de direitos e nas políticas voltadas à população com deficiência. Não há confirmação de que os nomes estejam sendo avaliados pelo governo para o cargo, nem de que haverá substituição da atual secretária.

A secretaria tem a atribuição de articular políticas de acessibilidade, inclusão e participação social. Seu trabalho envolve diálogo com outros ministérios, estados, municípios e organizações da sociedade civil.

Ivan Baron: atuação anticapacitista e participação política

Pedagogo e ativista potiguar, Ivan Baron ganhou projeção nacional pela produção de conteúdo sobre capacitismo, acessibilidade e direitos das pessoas com deficiência. Pessoa com paralisia cerebral, participou da cerimônia de posse de Lula em janeiro de 2023, integrando o grupo que acompanhou o presidente na subida da rampa do Palácio do Planalto.

Seu nome já esteve relacionado à discussão sobre o comando da secretaria. Em janeiro de 2026, durante a sucessão de Anna Paula Feminella, a assessoria de Baron informou publicamente que ele havia sido procurado por lideranças do movimento, mas que não existia convite oficial do gabinete da ministra Macaé Evaristo. A escolhida para o cargo foi Isadora Nascimento.

Nas eleições de 2026, Baron registrou candidatura a deputado estadual pelo PT no Rio Grande do Norte, mas anunciou sua retirada antes da votação, relatando dificuldades durante a campanha.

Sua trajetória combina comunicação pública, enfrentamento ao capacitismo e participação partidária. O episódio de janeiro, porém, não confirma uma nova sondagem para 2027.

Andréa Werner: experiência legislativa e defesa das famílias

Deputada estadual por São Paulo, Andréa Werner (PSB) atua principalmente nas áreas de educação inclusiva, saúde e direitos das pessoas com deficiência.

Jornalista, mulher autista e mãe de um adolescente autista, construiu sua atuação pública a partir das dificuldades enfrentadas pelas famílias no acesso a serviços e na garantia de direitos.

Na Assembleia Legislativa de São Paulo, preside a Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência, função para a qual foi reconduzida em 2025. Seu mandato também acompanha denúncias sobre negativas de atendimento e discute a qualidade dos serviços oferecidos à população.

Em 2026, disputou uma vaga de deputada federal pelo PSB e ficou como suplente. Sua experiência reúne fiscalização do poder público, elaboração legislativa e interlocução com famílias e organizações.

Luciana Trindade: articulação partidária e participação social

Luciana Trindade de Macedo é secretária nacional do PSB Inclusão, segmento do partido dedicado à defesa dos direitos das pessoas com deficiência.

Sua atuação envolve organização política, participação em debates públicos e articulação com movimentos sociais. À frente do segmento, acompanha discussões sobre acessibilidade, representação e inclusão das demandas das pessoas com deficiência nas decisões partidárias.

Em 2026, participou de agendas voltadas à organização dos segmentos do PSB e às estratégias eleitorais da legenda. Também esteve em debates no Congresso sobre políticas para pessoas com deficiência.

Seu perfil se concentra na interlocução entre organizações da sociedade civil, instâncias partidárias e poder público.

Isadora Nascimento: a possibilidade de permanência

A discussão sobre o próximo mandato também inclui a continuidade de Isadora Rodrigues Nascimento Santos, que assumiu a secretaria em janeiro de 2026.

Advogada e mulher negra com deficiência visual, Isadora já integrava a estrutura do órgão antes da nomeação, com atuação em articulação institucional e participação social.

À frente da secretaria, acompanha políticas federais para pessoas com deficiência e a interlocução com conselhos, movimentos e outros órgãos públicos.

Como não há anúncio de substituição, sua permanência deve ser considerada entre os cenários possíveis. A chegada de um novo mandato presidencial, por si só, não significa que haverá troca no comando da secretaria.

Anna Paula Feminella: experiência na administração federal

Anna Paula Feminella comandou a Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência a partir de 2023 e deixou o cargo em janeiro de 2026, após quase três anos de gestão.

Sua trajetória na administração federal inclui atuação em programas de inclusão, formação de servidores e articulação de políticas públicas. Durante sua passagem pela secretaria, participou da retomada de iniciativas nacionais voltadas aos direitos das pessoas com deficiência.

Atualmente, consta na estrutura do Ministério das Mulheres como coordenadora-geral de Políticas de Cuidado.

A experiência à frente da própria secretaria diferencia seu percurso entre os perfis apresentados, embora não haja confirmação de uma discussão sobre seu retorno.

Carlos Maciel: representação das pessoas com deficiência no PT

Carlos Maciel é coordenador nacional do Setorial de Pessoas com Deficiência do Partido dos Trabalhadores.

Em 2026, participou da organização de reuniões e plenárias sobre acessibilidade, direitos sociais e participação das pessoas com deficiência na construção das propostas do partido.

Entre os temas discutidos pelo setorial estão as barreiras nos espaços políticos, a representação nas candidaturas e as demandas relacionadas ao Benefício de Prestação Continuada (BPC).

Sua atuação está concentrada na organização partidária e na articulação entre as reivindicações do movimento e as instâncias do PT.

Uma agenda que envolve diferentes ministérios

A definição sobre o comando da secretaria ocorre em uma área que depende da atuação conjunta de diversos órgãos. Educação inclusiva, trabalho, saúde, mobilidade e proteção social exigem articulação para além do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.

Entre os temas que permanecem na agenda estão a implementação da avaliação biopsicossocial da deficiência, a execução do Novo Viver sem Limite, a acessibilidade digital e a participação das pessoas com deficiência nas decisões públicas.

Também fazem parte desse conjunto de demandas o acesso ao BPC, o cumprimento da Lei de Cotas no mercado de trabalho, as políticas de cuidado e a efetivação dos direitos previstos na Lei Brasileira de Inclusão.

A secretaria participa dessa articulação, mas não concentra a responsabilidade pela execução de todas essas políticas.

Governo ainda não anunciou mudanças

Até o fechamento desta reportagem, não havia anúncio oficial sobre a permanência ou substituição de Isadora Nascimento no próximo mandato. Também não havia confirmação de que as demais lideranças apresentadas estivessem participando de negociações para assumir a secretaria.

O Modo de Acesso procurou a assessoria do governo federal para obter informações sobre a composição da área e possíveis indicações. Até o fechamento, não houve retorno.

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