A Avenida Paulista, em São Paulo, recebeu milhares de manifestantes no domingo (11), durante a Marcha pela Democracia, ato de apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A mobilização reuniu entidades estudantis, movimentos sociais, torcidas de futebol e comunidades de fãs de artistas, em meio à disputa do segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro.
A concentração aconteceu na região do Museu de Arte de São Paulo (Masp). Lula participou da manifestação, que teve também a presença de aliados políticos. Entre as reivindicações levantadas no ato esteve o fim da escala de trabalho 6x1. O ato reuniu pautas trabalhistas e demandas de diferentes grupos em uma mesma mobilização eleitoral.
Entre os participantes estavam pessoas que saíram de Mauá, no ABC Paulista, e se deslocaram até a capital para acompanhar o ato. Um deles foi o pai atípico e educador Thiago Almeida, que encaminhou ao Modo de Acesso fotografias e áudios com relatos sobre sua experiência e a participação coletiva.
De Mauá à Paulista: participação coletiva e defesa da inclusão

Ao relatar sua participação na Marcha pela Democracia, Thiago destaca o deslocamento coletivo de moradores de Mauá. O deslocamento de Mauá à Paulista, segundo ele, reuniu pessoas interessadas em ocupar o espaço público e participar do debate sobre o futuro do país.
“Saímos de Mauá e fomos à Paulista porque acreditamos que a democracia se constrói com participação, com presença e posicionamento.”
— Thiago Almeida — pai atípico e educador
Nos registros aparecem participantes da manifestação e mensagens relacionadas à defesa dos direitos das pessoas neurodivergentes. Thiago também relatou a participação, em diferentes agrupamentos, de pessoas ligadas a coletivos de inclusão do Grande ABC, à luta antimanicomial e a torcidas antifascistas.
A presença dessas pautas chamou atenção para uma dimensão do debate eleitoral que ultrapassa a disputa entre candidaturas: o impacto de políticas públicas sobre pessoas com deficiência e suas famílias.
A experiência de um pai atípico no debate político

Ao Modo de Acesso, Thiago explicou que suas posições são influenciadas pela própria trajetória e pelas necessidades que acompanha no cotidiano das famílias atípicas. Para ele, debates sobre saúde, educação, assistência social e acessibilidade precisam considerar efeitos concretos das decisões governamentais.
“Eu, como pai atípico, entendo que a política impacta diretamente a vida das nossas famílias, nossos direitos e o futuro dos nossos filhos.”
— Thiago Almeida — pai atípico e educador
Ao comentar a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL), o educador disse que não considera adequado defender qualquer político sem analisar propostas e ações.
“Eu vejo que não se trata de concordar com tudo ou defender político cegamente, mas de analisar propostas, ações e seus impactos na vida real.”
— Thiago Almeida — pai atípico e educador
Ele acrescentou que a avaliação de cada projeto político está relacionada à sua trajetória e à forma como as candidaturas dialogam com direitos humanos, inclusão e políticas públicas.
“Meu compromisso maior não é com político A ou B. É com a vida, com a inclusão, com a democracia e com o futuro dos nossos filhos.”
— Thiago Almeida — pai atípico e educador
A participação política também acontece fora das ruas
Um dos pontos destacados por Thiago é que nem todas as pessoas podem comparecer presencialmente a manifestações. Barreiras de mobilidade, transporte, saúde e sobrecarga sensorial, além das responsabilidades de cuidado, podem limitar o acesso de pessoas com deficiência e de familiares a eventos com grandes concentrações.
“Na pauta da inclusão, a gente precisa entender que nem todos podem estar na rua, mas a luta também se faz no digital, nas redes sociais.”
— Thiago Almeida — pai atípico e educador
Na avaliação dele, a participação presencial e a mobilização nas redes sociais podem se complementar na defesa de direitos. Essa perspectiva amplia a discussão sobre acessibilidade em campanhas e atos políticos: a possibilidade de participar não deveria depender exclusivamente de estar fisicamente presente.
Direito à participação está previsto na Lei Brasileira de Inclusão
O artigo 76 da Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015) determina que o poder público garanta às pessoas com deficiência os direitos políticos e a oportunidade de exercê-los em igualdade de condições. A norma prevê, entre outros pontos, a participação na vida pública e em organizações de representação.
A Agência Brasil descreveu a presença de milhares de pessoas. Esta reportagem não dispõe de uma contagem independente e não apresenta um número fechado de participantes.
Registros da Marcha pela Democracia
Fotografias da mobilização encaminhadas por Thiago Almeida ao Modo de Acesso.














