Mais de seis em cada dez crianças com deficiência de 2 a 14 anos viviam abaixo da linha da pobreza no Brasil em 2022.
O percentual chegava a 60,9% entre as crianças com deficiência. Entre aquelas sem deficiência, era de 52,5%.
Os dados fazem parte da segunda edição do estudo Pessoas com deficiência e as desigualdades sociais no Brasil, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira, 18 de setembro de 2026.
Dados são de 2022
É importante diferenciar a data da publicação da data dos indicadores.
O estudo foi divulgado agora, em 2026, mas utiliza principalmente informações do Censo Demográfico de 2022 e de outras bases oficiais.
No conjunto da população com deficiência, 33,2% estavam em situação de pobreza naquele ano.
O percentual menor na população total em comparação com a infância também precisa ser analisado considerando a composição etária e a presença de rendimentos como aposentadorias e benefícios entre parcelas mais velhas da população.
Deficiência não deve ser tratada como causa automática da pobreza
Os números mostram uma associação entre deficiência e maior vulnerabilidade econômica, mas não permitem concluir que a deficiência, isoladamente, cause pobreza.
O acesso à educação, trabalho, saúde, transporte, tecnologia assistiva, proteção social e políticas de apoio às famílias interfere diretamente nas oportunidades disponíveis.
Barreiras também podem gerar despesas adicionais para as famílias, enquanto a necessidade de cuidado pode modificar a participação de adultos no mercado de trabalho.
Infância exige olhar para toda a família
Crianças dependem das condições existentes ao redor delas.
Por isso, discutir pobreza entre crianças com deficiência exige olhar para renda, moradia, acesso aos serviços, escola, proteção social, transporte e para as condições enfrentadas pelos responsáveis.
Os novos dados do IBGE ajudam a transformar uma realidade muitas vezes tratada apenas por relatos individuais em um problema mensurável de política pública.
Imagem de capa: gráfico produzido pelo Modo de Acesso com dados do IBGE sobre crianças de 2 a 14 anos em 2022.




