O cantor e ator Fiuk afirmou nesta terça-feira (25) que começou a investigar a possibilidade de estar no espectro autista, mas não concluiu a avaliação diagnóstica.
O relato foi feito em um vídeo publicado nas redes sociais. Fiuk explicou que interrompeu o processo por receio de que pessoas próximas e profissionais passassem a enxergá-lo de outra maneira.
Ainda não tive coragem de fazer o diagnóstico. Eu comecei, mas não terminei.
Medo do julgamento adiou a busca por respostas
Fiuk contou que passou anos tentando se encaixar em grupos e corresponder às expectativas das pessoas ao redor. Ao explicar por que decidiu falar publicamente agora, afirmou que não quer mais esconder características pessoais para ser aceito.
Cansei de parecer o que eu não sou.
O cantor também relacionou a suspeita à própria trajetória como ator. Segundo ele, interpretar personagens teria oferecido uma forma de experimentar outras maneiras de se expressar e de compreender experiências vividas desde a infância.
Esse relato é pessoal e não funciona como critério diagnóstico. Dificuldades de comunicação, sensação de inadequação ou estratégias para se adaptar socialmente podem aparecer em diferentes experiências e condições. A avaliação profissional considera o desenvolvimento da pessoa, sua história, os impactos na vida cotidiana e um conjunto mais amplo de características.
Suspeita não substitui avaliação diagnóstica
O Transtorno do Espectro Autista é uma condição do neurodesenvolvimento. De acordo com o Ministério da Saúde, sinais isolados não garantem o diagnóstico, mas podem indicar a necessidade de uma avaliação multiprofissional.
Não existe um exame de sangue ou de imagem que, sozinho, confirme o autismo. O processo é clínico e pode envolver entrevistas, observação, levantamento do histórico de desenvolvimento e a participação de profissionais de diferentes áreas, conforme as necessidades de cada pessoa.
Na vida adulta, a investigação pode acontecer depois de anos sem uma explicação para determinadas experiências. Receber um diagnóstico nessa fase não muda quem a pessoa é, mas pode ajudá-la a compreender necessidades de apoio, reconhecer direitos e buscar adaptações que façam sentido para sua rotina.
Como procurar atendimento pelo SUS
Quem se identifica com o relato e deseja iniciar uma investigação pode procurar uma Unidade Básica de Saúde. Segundo o Ministério da Saúde, a atenção primária deve acolher a demanda e, quando necessário, encaminhar crianças, adolescentes ou adultos para serviços especializados.
O percurso de atendimento e a oferta de serviços especializados variam entre os municípios.
Questionários disponíveis na internet podem ajudar uma pessoa a organizar percepções para conversar com um profissional, mas não devem ser tratados como confirmação de diagnóstico. Também é importante desconfiar de promessas de respostas imediatas baseadas em um único teste.
Foto de capa: Humor Multishow/Wikimedia Commons, sob licença CC BY 3.0. Imagem de 2020 adaptada ao formato de capa pelo Modo de Acesso.




