Um eleitor de 74 anos afirmou que não conseguiu votar porque o elevador necessário para chegar à sua seção estava quebrado. Em outra cidade, um homem precisou ser carregado para superar um degrau na entrada da sala. Os relatos, registrados no primeiro turno das eleições de 2026, no domingo, 4 de outubro, expõem barreiras enfrentadas por pessoas com deficiência para exercer o direito ao voto.
As reclamações reunidas em Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Pará envolvem o transporte, a entrada dos prédios e o caminho até a urna. Parte delas foi divulgada por veículos locais no Instagram e no Facebook. Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, os casos tornam urgente verificar as condições dos locais e corrigir os problemas relatados.
Em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, um eleitor de 74 anos que utiliza cadeira de rodas disse ter encontrado o elevador sem condições de uso. Segundo o relato divulgado pelo Paranaíba Mais, esta teria sido a primeira vez em que uma barreira de acesso o impediu de votar.
“Sempre votei, hoje não vou exercer meu direito”, afirmou o eleitor, em declaração reproduzida pelo portal, que reuniu publicações de seu perfil no Instagram sobre as dificuldades de acesso.
O mesmo veículo registrou outro episódio na Universidade Federal de Uberlândia, no bairro Santa Mônica. Uma eleitora relatou que uma mulher idosa precisou da ajuda de outras pessoas para descer uma escada e que não havia rampa disponível naquele acesso.
Em Divinópolis, também em Minas Gerais, Donizete Aparecido da Silva, de 62 anos, precisou da ajuda de duas pessoas para chegar à urna. À RECORD Minas, ele contou que a escola tinha rampas na entrada, mas que a sala destinada à sua votação apresentava um degrau alto, impedindo a passagem da cadeira de rodas.
Segundo Donizete, a seção havia mudado de sala. Na eleição anterior, ele conseguira entrar com a cadeira. O caso mostra por que a avaliação da acessibilidade precisa alcançar todo o percurso dentro do prédio, incluindo a porta da sala de votação.
Na reportagem sobre o episódio, o R7 informou ter procurado o Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais e ainda aguardar resposta. O texto consultado do Paranaíba Mais também não informava quais providências haviam sido tomadas nos casos de Uberlândia.
Em Maricá, no estado do Rio de Janeiro, uma eleitora que utiliza cadeira de rodas precisou de ajuda para descer uma escada na Escola Zilca Lopes, no Centro. Segundo o relato divulgado pelo Maricá Info, faltava uma rampa naquele acesso. O marido afirmou que já havia reclamado da situação na eleição anterior e que o problema permanecia.
Em Campinas, no interior de São Paulo, o acidade on divulgou o caso de um eleitor de 32 anos que levou mais de duas horas para votar na Vila Nogueira e precisou de ajuda por falta de acessibilidade. O registro também apareceu na página do veículo no Facebook.
No Norte do país, as dificuldades começaram antes da chegada ao local de votação. Em Belém, Carlos Cordeiro, de 67 anos, que tem deficiência visual, contou ao jornal O Liberal que saiu de Outeiro por volta das 3h da manhã. Segundo ele, a falta de transporte adequado dificultou a viagem. Depois de votar, procurou ajuda para voltar para casa.
Na mesma cidade, Marco Antonio, de 54 anos, usuário de cadeira de rodas, relatou problemas nas rampas dos ônibus e dificuldades de circulação na Universidade Federal do Pará, para onde seu local de votação havia sido transferido. Ele conseguiu votar, mas cobrou melhores condições de acesso.
A regulamentação do Tribunal Superior Eleitoral para as eleições de 2026 determina que os tribunais regionais orientem a escolha de locais que garantam acessibilidade, considerando o imóvel, seu entorno e o transporte. Também prevê, na medida do possível, a instalação das seções em espaços sem barreiras, preferencialmente no térreo, e a eliminação de obstáculos que dificultem o voto.
Os episódios reunidos não permitem calcular quantas pessoas foram afetadas no país. Eles identificam, porém, situações concretas que precisam ser verificadas pela Justiça Eleitoral antes da próxima votação: elevadores, escadas, degraus, circulação interna e condições de chegada aos locais.
Eleitores de qualquer estado e do Distrito Federal podem encaminhar reclamações à ouvidoria do respectivo tribunal regional. O diretório de ouvidorias da Justiça Eleitoral reúne os canais de atendimento. Ao registrar o relato, informe o município, o local de votação, a zona e a seção, se souber, descreva a barreira encontrada e guarde o protocolo para acompanhar a resposta.
Os relatos foram divulgados por veículos de comunicação em suas redes sociais. As publicações consultadas não identificavam os usuários pessoais dos entrevistados.




