Um estudo publicado em 10 de setembro na JAMA Network Open identificou uma diferença relevante na expectativa de vida de pessoas autistas atendidas pelo Medicaid, programa público de saúde dos Estados Unidos voltado principalmente a pessoas de baixa renda e pessoas com deficiência.
A pesquisa analisou dados de 2.048.046 beneficiários autistas do Medicaid entre 2000 e 2020. Nesse período, foram registradas 18.268 mortes. A expectativa de vida ao nascer estimada para esse grupo foi de 64,9 anos: 5,6 anos abaixo da observada entre todos os beneficiários do Medicaid e 13,8 anos abaixo da população geral dos Estados Unidos.
O resultado não significa que toda pessoa autista terá essa expectativa de vida. Trata-se de uma estimativa para uma população específica, atendida por um programa que reúne pessoas com diferentes condições socioeconômicas, necessidades de apoio e condições de saúde. Os próprios autores registram que a amostra não representa automaticamente todas as pessoas autistas dos Estados Unidos — e muito menos a realidade brasileira.
Mortes por causas potencialmente evitáveis
Na comparação com o conjunto de beneficiários do Medicaid, a mortalidade geral entre participantes autistas foi 44% maior. As maiores diferenças apareceram em mortes por influenza, desnutrição, pneumonite causada por sólidos ou líquidos, acidentes não relacionados ao transporte, afogamento e pneumonia.
O estudo não afirma que o autismo seja a causa dessas mortes. Os dados mostram uma associação estatística e reforçam a necessidade de atenção a barreiras no acesso à saúde, à prevenção, ao acompanhamento de condições associadas e ao atendimento adequado em situações de risco.
Entre as pessoas autistas atendidas pelo Medicaid, a diferença de expectativa de vida em relação à população geral dos Estados Unidos foi maior entre mulheres: 16 anos, contra 11,6 anos entre homens.
Alerta para o cuidado ao longo da vida
O levantamento amplia um debate que ainda recebe pouca atenção: o cuidado em saúde de adolescentes, adultos e idosos autistas. A discussão não pode se limitar ao diagnóstico na infância. Ela envolve acesso contínuo a consultas, comunicação acessível, acompanhamento de condições clínicas, prevenção de doenças e apoio às famílias e redes de cuidado.
Os números não devem ser usados para produzir medo ou para definir o futuro de uma pessoa autista. Eles funcionam como um alerta de saúde pública sobre desigualdades que podem ser enfrentadas com informação, serviços acessíveis e cuidado integral ao longo da vida.
A pesquisa foi conduzida por pesquisadores da Columbia University e da University of Colorado Anschutz. A universidade publicou uma síntese dos resultados e das limitações do levantamento.
Foto de capa ilustrativa: profissional faz anotações durante um atendimento psicoterapêutico; a imagem não retrata participantes da pesquisa nem seus resultados. Crédito: Divulgação/Governo de São Paulo.




