Douglas Ruas (PL) foi declarado eleito governador do Rio de Janeiro após a retotalização dos votos da disputa estadual, alcançando 50,88% dos votos válidos. Entre os compromissos apresentados durante a campanha estão a criação de polos regionais de atendimento a pessoas autistas, uma rede de apoio às mães atípicas e uma secretaria exclusiva para coordenar políticas públicas voltadas às pessoas com deficiência.
O novo cálculo ocorreu hoje, 10 de outubro, após a decisão do Tribunal Superior Eleitoral de anular os votos atribuídos a Anthony Garotinho (Republicanos). A exclusão desses votos da base de cálculo elevou o percentual de Ruas, que passou a superar a maioria necessária para a vitória no primeiro turno. O procedimento prevê, ainda, etapas de publicidade do resultado e apresentação de eventuais contestações.
Polos regionais para atendimento a pessoas autistas
Uma das propostas de Ruas é implantar polos especializados em diferentes regiões do estado, reunindo diagnóstico, terapias e apoio às famílias. A estrutura anunciada prevê atendimento com equipes multiprofissionais e coordenação do governo estadual.
No programa divulgado pela campanha, a regionalização aparece acompanhada da proposta de carretas de apoio ao diagnóstico para percorrer o interior. Também está prevista a capacitação de profissionais da saúde e da educação para a identificação precoce de sinais de autismo.
As iniciativas foram apresentadas como propostas para ampliar o acesso ao atendimento, e não como uma rede já implantada pela futura administração.
Secretaria de políticas inclusivas e central de intérpretes
Ruas também assumiu o compromisso de criar uma Secretaria de Estado de Políticas Inclusivas. A proposta foi formalizada em uma carta-compromisso assinada durante um encontro com instituições que atuam na defesa dos direitos das pessoas com deficiência, ao lado de Fernanda Louback, sua vice na chapa.
Segundo o desenho apresentado, a secretaria deverá acompanhar e cobrar ações de diferentes áreas do governo, como saúde, educação e esporte. A intenção anunciada é articular as políticas de inclusão entre as pastas estaduais e manter interlocução com as instituições que trabalham com esse público.
Outra medida apresentada foi a criação de uma Central de Intérpretes com funcionamento 24 horas, voltada a facilitar a comunicação e o acesso de pessoas com deficiência aos serviços.
Professores de apoio e espaços sensoriais
Na educação, Ruas anunciou a proposta de garantir professores de apoio para estudantes com deficiência na rede estadual. O programa divulgado pela campanha também menciona planos de ensino individualizados, salas de recursos e tutores para acompanhar os alunos.
A agenda inclui, ainda, a instalação de espaços sensoriais em prédios e serviços públicos. Essas medidas foram apresentadas como parte das propostas para pessoas autistas e outras pessoas neurodivergentes, articulando atendimento, condições de aprendizagem e acesso aos equipamentos públicos.
Rede de apoio às mães e moradias assistidas
O apoio às mães atípicas e aos responsáveis pelo cuidado de pessoas com deficiência também esteve presente nas manifestações de campanha. Ruas defendeu uma rede de suporte destinada a reduzir a sobrecarga dos familiares, associada à oferta de atendimento especializado nas diferentes regiões do estado.
Durante agendas na Baixada Fluminense, ele também apresentou a proposta de moradias assistidas para adultos com deficiência que necessitem de acompanhamento. A iniciativa foi mencionada em conversas com mães que manifestaram preocupação com a continuidade do cuidado de seus filhos no futuro.
Nesse caso, trata-se de uma proposta anunciada publicamente, não da comprovação de que novas unidades tenham sido criadas ou estejam em funcionamento.
Da promessa à implementação
A criação dos polos, da secretaria, da central de intérpretes e das moradias assistidas integra os compromissos apresentados por Ruas para o governo estadual. A eleição, por si só, não transforma esses anúncios em serviços disponíveis à população.
A avaliação da implementação deverá considerar orçamento, contratação e formação de equipes, localização das unidades, critérios de acesso e prazos de atendimento. Para as pessoas com deficiência e suas famílias, o acompanhamento dessas definições será essencial para verificar como as propostas se traduzirão em acesso efetivo a direitos e serviços.




