Mais de 30 milhões de crianças e adolescentes no Brasil já estão expostos a dois ou mais riscos climáticos. O dado do UNICEF, divulgado pela Agência Brasil nesta quinta-feira, 8 de outubro, coloca a continuidade do cuidado, da alimentação e da escola no centro da preparação para o El Niño 2026–2027.
São seis em cada dez crianças e adolescentes no país. Entre eles, 16 milhões convivem com três ou mais riscos. A exposição não significa que todos já tenham sido atingidos por um desastre; indica as condições que precisam ser consideradas no planejamento dos serviços.
O que muda na rotina das famílias
Uma seca pode comprometer o acesso à água e dificultar o deslocamento até a escola ou uma unidade de saúde. Uma enchente pode interromper aulas, vacinação e a renda de quem cuida. Esses são alguns dos caminhos pelos quais os eventos extremos chegam à vida das crianças, segundo o UNICEF.
A preparação precisa contemplar a rotina de cuidado: continuidade do atendimento, medicamentos e insumos disponíveis, água segura e alternativas para manter a aprendizagem. A organização recomenda organizar essa resposta antes que os serviços sejam interrompidos.
Para as famílias, a emergência não termina quando a chuva diminui ou o abastecimento volta. Retomar o atendimento de saúde, a alimentação e a frequência escolar também precisa fazer parte da resposta dos serviços públicos.
347 milhões no mundo: exposição prevista, não número de vítimas
Em comunicado de 6 de outubro, o UNICEF estimou que mais de 347 milhões de crianças vivem em áreas de quase 100 países e territórios com previsão de chuvas acima ou abaixo do normal entre outubro e dezembro de 2026 por influência do El Niño.
A estimativa aponta onde condições incomuns podem aumentar o risco de secas, enchentes e outras interrupções. Não é uma contagem de crianças atingidas nem uma projeção de vítimas.
O cálculo reúne previsões sazonais disponíveis em setembro e dados populacionais. Os cenários têm incertezas diferentes por região e podem mudar com novas informações. O UNICEF recomenda antecipar a proteção das redes de saúde, educação, água e assistência social.
Foto de capa ilustrativa: cottonbro studio/Pexels, sob licença Pexels. A imagem não retrata vítimas de eventos climáticos.




