Acessibilidade

Santo André e São Bernardo são reconhecidas por iniciativas de turismo acessível em São Paulo

Sabina Escola Parque do Conhecimento e Linha Inclusiva no Turismo Industrial estão entre as 15 práticas escolhidas após análise de 308 iniciativas paulistas.

Foto: Alex Cavanha/PSA (visita de estudantes à Sabina)

Santo André e São Bernardo do Campo estão entre os municípios reconhecidos pelo Governo de São Paulo por iniciativas de turismo acessível e inclusivo.

A **Sabina Escola Parque do Conhecimento**, em Santo André, e a **Linha Inclusiva no Turismo Industrial**, de São Bernardo, integram o grupo de 15 práticas escolhidas em um levantamento realizado em todo o estado.

A cerimônia aconteceu em **14 de setembro**, no Centro TEA Paulista, na capital. O projeto foi desenvolvido pela Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, pela Secretaria de Turismo e Viagens e pela Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo, a EACH-USP.

Mais de 300 iniciativas foram mapeadas

A pesquisa identificou **308 iniciativas de turismo acessível em 227 municípios paulistas**, envolvendo museus, parques, praias, hotéis, eventos, terminais de passageiros, recursos tecnológicos e políticas institucionais.

Desse total, 70 ações foram selecionadas para um estudo mais aprofundado. Na etapa seguinte, um painel formado por 28 especialistas avaliou os projetos e definiu as 15 práticas reconhecidas.

Segundo a EACH-USP, a avaliação considerou nove critérios, entre eles a abrangência das soluções de acessibilidade, a participação do público atendido, a qualificação das equipes, a continuidade das ações, a inovação e a possibilidade de reprodução da experiência em outros locais.

Sabina reúne acessibilidade física, sensorial e comunicacional

Em Santo André, o reconhecimento foi concedido à **Sabina Escola Parque do Conhecimento**, equipamento dedicado à educação, ciência, cultura e lazer.

O espaço oferece recursos destinados a visitantes com diferentes deficiências, como totens com Libras, simuladores adaptados, audiodescrição no Planetário Johannes Kepler, constelações táteis e iluminação preparada para o trabalho de intérpretes de Libras.

A Sabina também possui o **Espaço de Acolhimento Sensorial**, inaugurado em abril de 2026. O ambiente é destinado a pessoas que necessitem de regulação sensorial durante a visita.

Equipamentos de experimentação e atividades do projeto itinerante Sabina na Escola utilizam mesas adaptadas para pessoas usuárias de cadeiras de rodas.

A formação das equipes também fez parte da avaliação. De acordo com a Prefeitura de Santo André, profissionais de diferentes setores receberam capacitação em Libras, incluindo trabalhadores das áreas de atendimento e manutenção.

O planetário promove ainda sessões mensais acessíveis para pessoas surdas, cegas e com baixa visão. A atividade combina Libras, audiodescrição e interpretação do conteúdo para o português falado.

São Bernardo adapta visitas ao parque industrial

Em São Bernardo, a iniciativa reconhecida foi a **Linha Inclusiva no Turismo Industrial**, que amplia o acesso de pessoas com deficiência aos roteiros de visitação realizados em fábricas instaladas no município.

O projeto oferece recursos como transporte acessível, abafadores de ruído, atendimento em Libras e roteiros preparados para visitantes autistas.

Em 2025, a Linha Inclusiva promoveu **11 visitas, com a participação de 274 pessoas**, segundo informações divulgadas pelo Diário do Grande ABC.

Empresas como Scania, Mercedes-Benz, Zurich e Braskem participaram das experiências. A proposta utiliza a identidade industrial de São Bernardo como atração turística e procura garantir que os roteiros contemplem diferentes formas de comunicação, mobilidade e participação.

Acessibilidade precisa fazer parte de toda a experiência

O reconhecimento das duas iniciativas do Grande ABC reforça que a acessibilidade no turismo não se limita à instalação de rampas ou banheiros adaptados.

Para que uma experiência seja acessível, é necessário considerar o acesso às informações, a comunicação, o transporte, os estímulos sensoriais, a preparação das equipes e as condições para que cada visitante participe com autonomia e segurança.

No caso da Sabina, os recursos estão incorporados a um equipamento de ciência, educação e lazer. Em São Bernardo, a acessibilidade foi incluída em visitas que apresentam o patrimônio industrial do município.

Reconhecimento reúne práticas de diferentes regiões

Santo André e São Bernardo dividem o reconhecimento com equipamentos como Museu do Futebol, Museu do Ipiranga e Pinacoteca de São Paulo, além de iniciativas desenvolvidas em Bertioga, Caraguatatuba, São Sebastião, Socorro, Jundiaí, Holambra e Tupã.

O levantamento procura identificar soluções que possam ser reproduzidas por outros municípios e empreendimentos. A possibilidade de transferência das práticas para outros contextos foi um dos critérios adotados na seleção.

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