Direitos

Projeto prevê participação mínima de 5% de pessoas com deficiência em campanhas do poder público

Proposta busca ampliar a representatividade na publicidade institucional e segue em análise no Senado; a reserva ainda não está em vigor.

O senador Flávio Arns, de óculos, terno azul e gravata listrada, fala ao microfone diante de um notebook; ao lado, a senadora Dra. Eudócia acompanha a reunião.
Foto: Saulo Cruz/Agência Senado — foto de arquivo, de maio de 2026.

Campanhas publicitárias de órgãos da administração pública direta e indireta poderão ter uma participação mínima de pessoas com deficiência. O Projeto de Lei nº 5.333/2023 prevê que, quando os anúncios utilizarem pessoas, pelo menos 5% das contratadas sejam pessoas com deficiência. A proposta está em tramitação no Senado.

Apresentada originalmente na Câmara dos Deputados como PL nº 6.190/2016, a iniciativa tem Erika Kokay (PT-DF) entre suas autoras e foi encaminhada ao Senado em novembro de 2023. Flávio Arns (PSB-PR) apresentou relatórios favoráveis ao texto nas comissões de Direitos Humanos e de Ciência e Tecnologia.

Pelo texto aprovado na Comissão de Ciência e Tecnologia, quando o cálculo dos 5% resultar em uma fração, o número deverá ser arredondado para o inteiro seguinte. A medida pretende ampliar a presença de pessoas com deficiência na comunicação do poder público.

Na defesa da proposta, Arns argumenta que a ausência dessas pessoas na publicidade contribui para sua invisibilidade e reforça padrões que excluem diferentes formas de viver. Para o relator, a representatividade ganha importância especial nas campanhas públicas, que devem dialogar com toda a sociedade.

O projeto recebeu parecer favorável da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa em 15 de maio de 2024. Na Comissão de Ciência e Tecnologia, a aprovação ocorreu em 20 de maio de 2026, com uma alteração de redação para substituir a expressão “peças publicitárias” por “campanhas publicitárias”.

Depois dessa etapa, uma emenda apresentada pelo senador Jaques Wagner (PT-BA) levou a matéria de volta às duas comissões. Em 28 de agosto, Arns entregou novo relatório favorável à emenda na Comissão de Direitos Humanos, também propondo o uso da expressão “campanha publicitária”.

Na consulta ao portal do Senado realizada em 19 de outubro, a proposta constava como pronta para entrar na pauta da Comissão de Direitos Humanos. A tramitação ainda não foi concluída, e o percentual previsto no projeto não se tornou uma obrigação legal.

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