A atriz Tisha Campbell, conhecida por interpretar Jay Kyle em “Eu, a Patroa e as Crianças”, revelou ter recebido os diagnósticos de transtorno do espectro autista (TEA) e transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) aos 57 anos. O relato repercutiu na imprensa brasileira nesta terça-feira, 6 de outubro.
A declaração foi feita ao programa “Way Up With Angela Yee”, em entrevista publicada em 15 de setembro. Segundo Campbell, a investigação começou por recomendação de seu terapeuta e envolveu avaliações com dois especialistas, com atividades orais, escritas e perguntas sobre suas experiências.
A atriz contou que passou grande parte da vida escondendo características pessoais diante do público. Associou esse comportamento ao uso do humor e à necessidade de se adaptar às expectativas das pessoas ao redor.
“Sinto que me conheço muito melhor”, afirmou, em tradução livre.
Campbell também mencionou diferenças no processamento dos sons. Disse usar fones de ouvido para bloquear ruídos e descreveu a sensação de receber muitos estímulos sonoros ao mesmo tempo.
O diagnóstico veio depois de concluir “The A Word: A Mother’s Journey Through Autism and Love”, livro sobre sua experiência como mãe de Xen, que é autista. Por isso, a descoberta sobre si mesma não foi incluída na obra.
Autismo e TDAH podem coexistir
A expressão “AuDHD”, usada para descrever a coexistência de autismo e TDAH, reúne referências aos nomes das duas condições em inglês. São diagnósticos distintos, que podem estar presentes na mesma pessoa. A expressão não significa ter “uma parte” de cada condição.
O autismo é uma condição do neurodesenvolvimento que envolve diferenças na comunicação e na interação social, além de padrões restritos ou repetitivos de comportamento e interesses. Também pode envolver particularidades sensoriais, como maior ou menor sensibilidade a sons, luzes e texturas.
Receber o diagnóstico na vida adulta significa reconhecer uma condição cujas características remontam ao desenvolvimento, e não que a pessoa tenha se tornado autista naquele momento.
O chamado mascaramento, ou camuflagem social, consiste em esconder ou adaptar características para atender a expectativas sociais. Esse esforço pode dificultar que outras pessoas percebam necessidades de apoio.
Como funciona a avaliação em adultos
Segundo o Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos, a avaliação considera o histórico de desenvolvimento, a comunicação, as relações sociais, as experiências sensoriais e os padrões de comportamento. Informações sobre a infância também podem contribuir para o processo.
Características isoladas não bastam para estabelecer um diagnóstico. A avaliação profissional considera o conjunto da história e das experiências da pessoa, inclusive condições que podem coexistir ou apresentar sinais semelhantes.
O acompanhamento após o diagnóstico deve considerar necessidades individuais. Pessoas autistas podem precisar de diferentes formas de apoio na saúde, no trabalho, nos estudos e nas relações cotidianas.




