Em 2022, apenas 29% das pessoas com deficiência de 14 anos ou mais estavam ocupadas no Brasil. Entre as pessoas sem deficiência da mesma faixa etária, o percentual chegava a 55,8%. Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados nesta sexta-feira, 18 de setembro de 2026, mostram uma diferença de 26,8 pontos percentuais entre os grupos.
Os indicadores integram um novo informativo sobre as desigualdades vividas pelas pessoas com deficiência. Embora a divulgação seja de 2026, os números de ocupação e rendimento apresentados neste recorte são referentes ao Censo Demográfico de 2022.
Rendimento médio era R$ 837 menor
Entre os trabalhadores com deficiência, o rendimento médio era de R$ 2.053. Para aqueles sem deficiência, o valor chegava a R$ 2.890: uma diferença de R$ 837, equivalente a aproximadamente 29%.
Segundo a cobertura da Agência Brasil sobre os resultados, a desigualdade de rendimento aparecia em todos os grupos de atividades econômicas. Os trabalhadores com deficiência também estavam mais concentrados em setores com remunerações menores, como serviços domésticos, agropecuária, alojamento e alimentação.
A comparação descreve a renda média de dois grupos. Ela não significa, isoladamente, que todas as pessoas com deficiência recebiam 29% menos para exercer exatamente a mesma função.
Mulheres com deficiência tinham menor participação no trabalho
O recorte por sexo também revela diferenças. Entre as mulheres com deficiência, o nível de ocupação era de 24,4%, enquanto entre os homens com deficiência chegava a 35,4%.
Outro cuidado necessário está na interpretação do indicador: dizer que 29% estavam ocupados não permite concluir que os demais 71% estavam desempregados. A população considerada inclui pessoas em diferentes situações, e não somente aquelas que procuravam trabalho.
Inclusão profissional envolve acesso e permanência
A Lei Brasileira de Inclusão assegura o direito ao trabalho em ambiente acessível e inclusivo. Também proíbe discriminação em etapas como recrutamento, contratação e ascensão profissional, além de garantir igualdade de remuneração por trabalho de igual valor.
Os resultados ajudam a delimitar uma questão para o debate público: além de acompanhar a abertura de vagas, é necessário observar quais condições permitem que pessoas com deficiência ingressem no trabalho, permaneçam nele e desenvolvam suas trajetórias profissionais.




