Se você acompanha futebol, provavelmente já se perguntou como Mauro Beting consegue estar em tanto lugar. Pela conta que ele publicou no Instagram nesta quinta-feira (15), dá para entender um pouco: o espaço para a folga é que anda apertado.
Foram 11 dias sem trabalhar em 2026 até a publicação. Em 2025, foram 12. Em 2024, dez. Tem campeonato com mais rodada do que isso.
Mauro abriu o calendário para falar da escala 6x1, aquela em que se trabalham seis dias para descansar um. E foi direto:
“Tenho quase que uma escala 7x0. Também por isso apoio totalmente a mudança na 6x1. E também como dono de loja.”
Esse “também como dono de loja” merece uma pausa na leitura. Quem costuma tomar as dores do patrão quando alguém fala em descanso pode conferir de novo: sim, o dono da loja está apoiando a mudança.
Mauro conta que ama trabalhar. Gosta da profissão, se diverte com os colegas e reconhece a sorte de ter uma família que o apoia e, nas palavras dele, o “suporta em todas as acepções”. Quem vive com alguém de agenda cheia provavelmente entendeu o recado.
Também lembra que, entre 2004 e 2005, passou dez meses sem um dia de folga. Ainda assim, faz questão de explicar como enxerga essa relação:
“Sou worklover. Não workaholic.”
E completa: “Passo muito bem trabalhando. Não passo mal quando não trabalho”.
Talvez seja a parte de que eu mais goste no texto. Mauro fala da própria disposição sem transformar a agenda dele em obrigação para o restante do mundo. Ama o que faz, sabe que tem sorte e consegue olhar para quem vive outra realidade.
Porque a folga de muita gente já começa com uma lista de tarefas esperando. Roupa para lavar, mercado, casa, compromissos que foram ficando para depois. Quando dá tempo de sentar, o despertador do dia seguinte já está praticamente escalado.
E seria bom conseguir ver os amigos, almoçar com calma, acompanhar os filhos ou assistir a uma partida sem dormir antes do segundo tempo. Até não fazer nada precisa caber na semana.
No fim da publicação, Mauro responde às críticas com uma cobrança: “Mas trabalhe mais para entender quem trabalha demais”.
Depois, deixa a frase que fecha a conversa melhor do que qualquer comentário meu:
“E tente no mercado comprar empatia e respeito. Commodities que não quebram o país.”



