Notícias

Violência doméstica atinge 38% das mulheres com deficiência, aponta pesquisa do DataSenado

Levantamento que será apresentado oficialmente no Senado nesta quarta-feira (23) revela maior exposição de mulheres com deficiência à violência e aponta barreiras para romper ciclos de agressão.

Foto: Imagem ilustrativa

Uma pesquisa do Instituto DataSenado traz um alerta sobre uma forma de violência que muitas vezes permanece invisibilizada: 38% das mulheres com deficiência entrevistadas afirmaram já ter sofrido violência doméstica ou familiar praticada por homens.

Os resultados da 11ª Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher — Mulheres com Deficiência 2026 serão apresentados oficialmente em audiência pública da Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal nesta quarta-feira, 23 de setembro.

Dados antecipados do levantamento mostram uma diferença significativa em relação às mulheres sem deficiência, entre as quais o percentual registrado foi de 28%.

Violência pode permanecer por anos

O estudo ouviu 21.641 brasileiras em 2025, incluindo 2.828 mulheres com deficiência.

Entre as mulheres com deficiência entrevistadas, 19% disseram ter sofrido violência nos 12 meses anteriores à pesquisa. Para 69% das que relataram episódios recentes, a situação de violência já se prolongava havia mais de um ano.

Os dados também chamam atenção para formas de agressão que vão além da violência física. A pesquisa identificou ocorrência de violência patrimonial e sexual e apontou que, em muitos casos, o autor da violência era o próprio companheiro ou cônjuge.

Deficiência pode ampliar barreiras para pedir ajuda

Para uma mulher com deficiência, abandonar uma situação de violência pode envolver obstáculos adicionais.

Dependência financeira, necessidade de apoio para atividades diárias, ausência de transporte acessível, serviços públicos sem Libras, falta de materiais acessíveis e até dependência do próprio agressor para locomoção ou cuidados podem dificultar o acesso à rede de proteção.

Isso significa que políticas de enfrentamento à violência contra a mulher também precisam ser pensadas sob a perspectiva da acessibilidade.

Delegacias, serviços de saúde, casas de acolhimento, Defensorias e demais equipamentos públicos precisam estar preparados para receber mulheres com diferentes tipos de deficiência com autonomia, privacidade e comunicação acessível.

Apresentação ocorrerá no Senado

A Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado deverá realizar audiência pública para apresentação dos resultados do levantamento.

A pesquisa foi elaborada pelo DataSenado em parceria com o Observatório da Mulher contra a Violência.

Mais do que revelar números, os dados colocam uma questão no centro do debate: políticas de proteção às mulheres somente serão verdadeiramente universais quando também forem plenamente acessíveis às mulheres com deficiência.

Leia também

Continue acompanhando