A alegria de conquistar um título ganha outro significado quando é compartilhada com quem treinou, ajustou as jogadas e entrou em quadra junto. É esse sentimento que aparece na comemoração de atletas do SFC Delteas, clube japonês de futebol em cadeira de rodas motorizada com atuação em Shizuoka e registrado na cidade de Hamamatsu
A conquista no Torneio Esportivo Wakafuji foi relatada nas redes sociais por Shota Ishiwaki, integrante da equipe. Na publicação, acompanhada de imagens da competição, ele destacou que os gols saíram de boas jogadas e que foi possível colocar em prática o que havia sido trabalhado nos treinamentos.
Mais do que uma comemoração individual, o relato aponta para o resultado de uma preparação coletiva: transformar o treino em oportunidades de gol e dividir com os companheiros a satisfação pelo desempenho. “Vencer é realmente uma alegria”, escreveu o jogador, em tradução livre do japonês.
Um clube com história e título nacional
O SFC Delteas não começou sua trajetória nessa competição. Fundado em 1997, o clube construiu uma história no futebol em cadeira de rodas motorizada japonês e conquistou, em 2017, o Campeonato Japonês na categoria Powerful 6, disputada com cadeiras limitadas a seis quilômetros por hora. Naquela edição, o Osaka Rolling Turtle terminou como vice-campeão.
O resultado nacional ajuda a apresentar o grupo para além de uma publicação nas redes sociais. Trata-se de uma equipe com experiência competitiva, que mantém o futebol como atividade organizada e contínua. No cadastro da Associação Japonesa de Futebol em Cadeira de Rodas Motorizada, o clube informa uma rotina de treinos semanais, aos sábados ou domingos, em instalações de Shizuoka e Hamamatsu. A relação de integrantes registrada pela entidade reúne homens e mulheres.
A estrutura que permite a realização dessas atividades também envolve pessoas fora da quadra. Em um anúncio de recrutamento de voluntários divulgado pela Universidade Seirei Christopher, o SFC Delteas descreve tarefas como preparação do espaço de jogo, controle do tempo, recolhimento de bolas e cuidados com o piso dos ginásios. É um trabalho de apoio que ajuda a manter a rotina esportiva da equipe.
O jogo depende de todos
Conhecido internacionalmente como powerchair football, o futebol em cadeira de rodas motorizada é disputado por quatro atletas de cada lado, incluindo o goleiro. As equipes podem ser mistas, e as cadeiras são conduzidas por controles adaptados às possibilidades de movimento de cada participante. Passes, dribles e chutes com movimentos de rotação fazem parte da modalidade.
A habilidade individual tem seu espaço, mas precisa funcionar dentro do jogo coletivo. O posicionamento de quem recebe a bola, a precisão de quem faz o passe e a organização de quem protege o gol se complementam. A própria apresentação da modalidade pelo parque de paradesportos de Shizuoka destaca a combinação entre controle preciso das cadeiras e jogadas rápidas.
É nessa dimensão que a comemoração do Wakafuji deve ser compreendida. Ao mencionar os gols construídos a partir dos treinamentos, o relato compartilhado nas redes coloca o trabalho do grupo no centro da conquista.
O reconhecimento, portanto, não cabe a um único nome. Cabe à equipe que constrói as jogadas, compartilha responsabilidades e comemora o resultado. O protagonista dessa história é o time.
Crédito das imagens enviadas: Reprodução/Instagram — @shotaishiwaki.




