Maternidade em Acesso — Modo de Acesso

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Fim da escala 6×1: quem cuida das mães que não têm dia de folga?

Senado discute nesta quarta-feira (14) a redução da jornada de trabalho. Para mães atípicas, a proposta reacende o debate sobre a sobrecarga de quem precisa conciliar emprego, maternidade, terapias e cuidados diários.

Vista do plenário do Senado Federal, com mesas, cadeiras azuis e pessoas conversando no corredor central.
Foto: Ton Molina/Agência Senado — reprodução autorizada com crédito

Enquanto o Senado Federal discute, nesta quarta-feira (14), o fim da escala 6x1, uma pergunta precisa fazer parte desse debate: quando uma mãe atípica consegue realmente descansar?

A proposta, já aprovada pela Câmara dos Deputados, prevê a redução gradual da jornada de 44 para 40 horas semanais, com dois dias de descanso remunerado e sem redução salarial. A votação no Senado representa uma etapa importante para uma possível mudança na legislação trabalhista brasileira.

Mas, para muitas mães de crianças e adolescentes com deficiência, o fim do expediente não significa o fim das responsabilidades. É preciso conciliar trabalho, consultas médicas, terapias, escola, deslocamentos e uma rotina de cuidados que não obedece a horários comerciais.

Em muitos lares, o único dia de folga é utilizado para organizar a semana, cuidar da casa e resolver aquilo que ficou pendente. O descanso, quando acontece, costuma ficar por último.

E não estamos falando apenas de cansaço físico. Estamos falando de mulheres que frequentemente precisam abrir mão de oportunidades profissionais, reduzir jornadas ou até deixar o mercado de trabalho para acompanhar as necessidades dos filhos.

Uma segunda folga semanal pode representar mais tempo de convivência familiar, lazer e descanso. Entretanto, não resolve sozinha os desafios da maternidade atípica. Consultas e terapias continuam acontecendo durante a semana, e muitas mães precisam de flexibilidade no emprego, redes de apoio e políticas públicas que reconheçam essa realidade.

Embora a sobrecarga recaia frequentemente sobre as mulheres, pais e outros familiares também enfrentam dificuldades para conciliar o trabalho com as responsabilidades de cuidado. Essa divisão precisa ser discutida para que o cuidado não continue sendo tratado como uma obrigação exclusivamente materna.

O debate sobre a escala 6×1 envolve questões econômicas e diferentes posições sobre a organização do trabalho. Mas também oferece uma oportunidade de olhar para famílias que raramente aparecem quando se discutem jornadas, produtividade e descanso.

Porque, para uma mãe atípica, ter um dia a mais de folga não significa necessariamente ter um dia livre. Pode significar, simplesmente, ter um pouco mais de tempo para cuidar de tudo, inclusive de si mesma.

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