A taxa de analfabetismo entre pessoas com deficiência de 15 a 29 anos era de 12,2% em 2022, contra 1% entre aquelas sem deficiência da mesma faixa etária. Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) foram divulgados nesta sexta-feira, 18 de setembro de 2026.
A comparação considera pessoas da mesma faixa de idade. Na avaliação da pesquisadora do IBGE Luanda Botelho, apresentada à Agência Brasil, esse recorte mostra que a desigualdade não pode ser explicada apenas pela maior presença de idosos entre as pessoas com deficiência.
Frequência escolar também apresentava diferença
Os indicadores de 2022 mostram que 92,6% das crianças com deficiência de 6 a 14 anos frequentavam a escola. Entre aquelas sem deficiência, o percentual era de 98,4%.
Na faixa de 15 a 17 anos, a frequência escolar alcançava 79,5% entre adolescentes com deficiência e 85,4% entre os demais.
Essas medidas descrevem aspectos diferentes da trajetória educacional. Estar matriculado e frequentar a escola não equivale, necessariamente, a ter concluído o processo de alfabetização.
Acessibilidade nas escolas tem outro ano de referência
A divulgação também apresenta informações do Censo Escolar de 2025. Nesse levantamento, 57% das escolas possuíam banheiro acessível, 30% contavam com sala de recursos multifuncionais e 26,2% informavam a presença de profissional de apoio.
É necessário separar os períodos: os resultados de analfabetismo e frequência escolar citados nesta matéria são de 2022; os indicadores de estrutura escolar, de 2025. Esses números não demonstram, isoladamente, quais fatores causaram as diferenças de aprendizagem.
Direito à educação inclui participação e aprendizagem
A Lei Brasileira de Inclusão assegura sistema educacional inclusivo em todos os níveis. Também prevê medidas para garantir acesso, permanência, participação e aprendizagem, com recursos de acessibilidade e eliminação de barreiras.
O conjunto de indicadores permite formular perguntas que vão além da matrícula: quais apoios estão disponíveis, como os estudantes participam das atividades e quais condições favorecem sua aprendizagem?
Uma leitura cuidadosa dos dados não deve transformar a deficiência em explicação automática para a desigualdade. O levantamento descreve diferenças entre grupos; compreender seus mecanismos exige considerar as condições educacionais e as trajetórias dos estudantes.
FOTO: Fabiana Carvalho/Portal do MEC




